sábado, 12 de março de 2011

Joaquim Antonio Saraiva - Um Bravo Republicano







RESUMO DA HISTÓRIA DE JOAQUIM ANTÔNIO SARAIVA

Joaquim Antônio Saraiva, nasceu provavelmente no Uruguaio por volta do ano de 1851, filho de Manuel Saraiva do Amaral, neto de Plácito Saraiva do Amaral e bisneto de Manuel Saraiva
do Amaral, este último seu bisavô, foi o fundador do Passo do Saraiva localizado na Quarta Zona de Canguçu RS, no ano de 1800 foi liberado o novo distrito que receberia o nome de Canguçu, nome
pertencente a língua Tupi Guarani derivado da palavra canguaçu, segundo a história era o nome de uma onça pintada da cabeça grande que habitava nas matas desta área de terras habitada por índios
Tapes e Tapuias, subordinados aos Guaranis. Depois de vários combates contra os invasores brancos, foram praticamente devastado, sobrando somente crianças e mulheres entre esses nativo, sendo então colonizado por brancos descendentes de portugueses e açorianos, que já estavam morando desde o ano de 1737 no município vizinho de Rio Grande.
As famílias que foram morar e cultivar as terras deste novo distrito, receberam uma sesmaria, que era pouco menos de 100 he de terras. Manuel Saraiva do Amaral e sua esposa Ana Joaquina de Jesus também receberam uma fração de terras, onde com o tempo recebeu o nome de Passo do saraiva, por haver um arroio que passa por esta localidade até os dias de hoje.
No inicio dos anos e 1800, as charqueadas nas margens dos rios São Gonçalo e Pelotas que ficava uns 100 quilômetros na então pequena cidade de Pelotas, era onde se centralizava
a economia de toda a região e até mesmo do estado. Mas os países vizinhos, Uruguai e Argentina também produziam charque de muito boa qualidade, e preço competitivo, o governo imperialista
nada fazia para impedir a entrada do charque uruguaio e argentino e desestimulava a pequária gaúcha com impostos, motivo pelo qual que no ano de 1835 parte dos gaúchos pegaram em armas contra o império iniciando a Revolução Farroupilha que se estendeu por 10 longos anos, nestes anos os Gaúchos tiveram o seu próprio governo.
As famílias gaúchas eram divididas nesta guerra, tinha os que eram contra e os que eram a favor o império, segundo a história, Canguçu era um reduto de Farrapos e, a família do seu Manuel saraiva do Amaral também eram pertencente a estes Farroupilhas.
Plácido e Francisco Saraiva do Amaral eram uns dos vários filhos do seu Manuel, Plácido avô de Joaquim Antônio Saraiva, Francisco avô dos generais Gumercindo e Aparício Saraiva.
Seu Manuel faleceu no ano em que iniciou a Revolução Farroupilha com 75 anos de idade, mas seus filhos e netos tiveram uma participação ativa nesta guerra, tanto que no final dos dez anos quando os Farrapos aceitaram um acordo de paz seguindo sob o domínio do império, várias famílias
Farroupilhas tiveram que se debandar para o Uruguai perseguidos pelos seus próprios vizinhos que eram imperialistas e agora tinham o apoio dos soldados imperiais. Os descendentes do seu Manuel
Saraiva do Amaral tiveram que também abandonar suas terras fugindo para o país vizinho.
A genealogista já falecida Gizela Mascarenhas Catallã encontrou na Cúria Diocesana de Pelotas, certidão de resgistro de casamento dos pais de Joaquim Antônio Saraiva, cuja data é de 22 de abril de 1861, e consta também o nascimento de Joaquim Antônio Saraiva registrado pelo menos em cartório brasileiro na data de 05 de janeiro de 1862, de acordo com esse registro Joaquim Antônio teria sido registrado com uns 10 anos de idade, e seus pais também casando dez anos depois de seu nascimento, coisa que naquele tempo não era comum.
Eu acredito que eles casaram no Uruguai, mas quando voltaram também legalizaram seu casamento no cartório daqui do Brasil. O guri Joaquim Antônio deixaram sem registrar, esperando quando voltassem do Uruguai para cá, então registrariam.
Baseado nesses registros concluímos que Manuel Saraiva do Amaral, o pai de Joaquim Antônio, voltou para Brasil no princípio da década de 1860, época em que as ideias republicanas estavam ainda bem viva na mente dos Farrapos, e o império estava muito enfraquecido, tanto é que em 1889 sem precisar dar nem um tiro, foi implantada a república em todo o país.
Mas as inimizades políticas principalmente entre os gaúchos persistiram, causando muitos vandalismos e mortes. Manuel saraiva do Amaral foi um dos que pagou com sua própria vida o preço cobrado pelos imperialistas.
Nos últimos anos do império houve muitas perseguições políticas e, os que defendiam o imperialismo não estavam contentes com a situação, pois sabiam que perderiam muitas regalias com a caída do império, tinham que a qualquer custo intimidar os republicanos que estavam crescendo cada vez mais com o retorno dos que voltavam do Uruguai, por isso houve muitas mortes e vandalismos que ficavam impunes.
Entre os perseguidos e jurados de morte estava Manuel Saraiva do Amaral e, os perseguidores eram gente graúda, pois Manuel foi até as autoridades da vila e registrar uma queixa dessa ameaça contra a sua vida e, as autoridades deram-lhe garantias dizendo-lhe, podes ficar tranquilo que nada de ruim vai lhe acontecer, como estas autoridades poderiam dar esta garantia sem nenhuma ação policial, a menos que os criminosos fossem gente do meio deles.
Manuel vendeu um gado e precisou ir até Pelotas, cidade vizinha, ficava localizada a uns 100 quilômetros de distancia, iria depositar o dinheiro da venda do gado no banco desta cidade, levou dois companheiros como prevenção, mas não foi o suficiente, porque num paradouro de carreteiros a uns 40 quilômetros antes de chegar na cidade foram os três mortos em uma emboscada feita por uma quadrilha de uns 5 ou 6 homens bem armados.
As famílias das vitimas procuraram por justiça mas nada foi feito a respeito, então o filho mais velho de Manuel, Joaquim Antônio fez a justiça com suas próprias mãos vingando a morte do pai e tomando partido na revolução, lutando pelo o governo Júlio de Castilho que havia sido empossado legalmente.
Relata-se que muitos lutaram nesta revolução por motivos de vingança, foi uma das revoluções mais sangrentas das Américas, durou dois anos e ceifou a vida de mais de dez mil pessoas.

Joaquim Antônio Saraiva, Vingou a morte do pai e lutou na revolução Federalista de 1893 pelos republicanos defendendo o governo de Júlio de Castilhos contra os maragatos liderados pelo seu primo general Gumercindo saraiva.
Após a revolução que durou 2 anos, foi perseguido pela polícia da época tendo de matreriar por 9 anos nas matas do Cristal, cujo proprietário era o seu amigo coronel Leão dos Santos Terres popular (Dezinho Terres)
Na revolução de 1923 luto como revolucionário na tropa do general Zeca Netto, revolução que culminou coma tomada de Pelotas em 29 de outubro do mesmo ano. Estes detalhes são abordados com fotos inéditas no livro Joaquim Antônio Saraiva: Um Bravo Republicano.

Existe muitos causos sobre Joaquim Antônio que são narrados neste livro, finalizando com a sua morte aos 100 anos, nos braços de seu neto do peito Micindo Saraiva.

10 de março de 2011 Antônio Saraiva






Fotos:

1º Joaquim Antonio Saraiva aos 97 anos

2º Joaquim Antonio Saraiva e sua Esposa e sua filha mais nova

3º Capa do livro sobre Joaquim Antonio Saraiva, escrito por Antonio Saraiva

4º Foto de Joaquim Antonio Saraiva

5º Foto de Tita Saraiva, filho de Joaquim Antonio Saraiva


AGRADECEMOS A PESSOA DE ANTONIO SARAIVA, QUE GENTIL-MENTE NOS CEDEU AS FOTOS E NOS ENVIOU O TEXTO, SOBRE A HISTÓRIA DESTE IMPORTANTE SER HUMANO QUE PISOU NOSSO SOLO SAGRADO DO RIO GRANDE DO SUL, E QUE FEZ PARTE DE UM CENÁRIO ONDE VALORES, AINDA ERA FORJADOS NA PERSONALIDADE, E NÃO SE PERDIA PELO BRILHO DOS VIS INTERESSES, AI ESTA A CAPA DO LIVRO, ONDE SE PODE ACOMPANHAR A HISTÓRIA DESTE HONRADO GAÚCHO E DESTEMIDO HOMEM QUE VIVENCIOU TEMPOS DIFÍCEIS," POR QUE A EXEMPLO DE TANTA GENTE, NÃO TINHA CANCHA RETA, OU COSTAS QUENTES" PARAFRASEANDO SILVA RILLO.
EXEMPLO A SER SEGUIDO E LEMBRADO SEMPRE...

8 comentários:

  1. Obrigado amigo, pela bela divulgação,sinto-me muito honrado com a sua gentileza.
    São com trabalhos como esse seu, é que preservamos a nossa história.
    Grande abraço do amigo Antônio Saraiva

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  2. uma bela reportagem!
    é super interessante que divulgem a participação dos canguçuenses na história do nosso estado.
    ainda mais sendo um conterraneo do quarto distrito!!!!

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  3. CANGUÇU: HISTÓRIA E NOME
    Quinhentos metros mais alto
    Que o mar e outras planicies
    Como eu queria que visses
    Minha cidade natal;
    Princesa, original
    Com morros, vales e planaltos
    Contornada por asfalto
    Onde escoa a produção
    De toda aquela região
    Metade sul do estado
    Que tem um povo educado
    Devotado e tradição.

    Duzentos anos atrás
    Quando te planejaram
    Com nome te inauguraram
    Por ser isso natural;
    E foi nome dum animal
    Que habitava teus cerrados
    Que foste então batizado
    Sem ritos, e sem igual.

    Canguçu terra de guapos;
    Que no Rio Grande ainda novo
    Muito sangue do teu povo
    Foi dado em contribuição;
    Em guerras e revoluções
    Que marcaram esta querência
    Com mortes e violências
    Pra demarcar, nosso chão

    Canguçu republicano
    Desde os tempos dos Farrapos
    Combateu os Maragatos
    Com bravura e altivez
    E depois, mais uma vez
    Vivendo em outro cenário
    Foi um palco legendário
    Nos combates em vinte e três.

    Canguçu dos africanos
    Dos italianos e alemães
    Terra de lindas manhãs
    Da criação no alvoroço
    Dos terneiros no retosso
    Na hora de apojar as vacas
    Lugar em que gente fraca
    Não aguenta o tirão;
    Pois a machado e a facão
    Que os portugueses e açorianos
    Com sonhos republicanos
    Desbravaram este torrão.

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  4. Muito bom seu Blog, valoriza muito a nossa cultura!

    Abraços

    Jeandro Garcia

    www.turismonosul.com.br
    http://twitter.com/#!/cultura_gaucha

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  5. Zuleica Reyes Barbosa10 de agosto de 2011 05:54

    Como é bom saber que existem pessoas que tem interesse em preservar a história. Acho gratificante ver um blog com conteúdo,destinado ao resgate histórico.
    As fotos são lindas e os textos especiais.

    Parabéns pelo trabalho!

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  6. Obrigado pelos bondosos comentários, abraços a todos

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  7. Comentando ainda sobre a necessidade de divulgar a história, não apenas como fatos do passado, mas ligar esse estudo ao testemunho de quem teve a oportunidade de fazer parte dessa história.
    O trabalho de Antônio Saraiva, feito com tanta seriedade é de grande valor. Parabéns a esse importante filho de Canguçu por tão bem resgatar essa página da história.

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