quinta-feira, 24 de junho de 2010

Museu Dr. Carlos Barbosa Gonçalves


Museu Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, Jaguarão, Rio Grande do Sul



Texto de Andréa da Gama Lima*



O Museu Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, localizado na cidade de Jaguarão, RS, na fronteira com o Uruguay, desponta entre os mais belos acervos históricos do Brasil. Trata-se de um prédio em estilo eclético, datado de 1886, que foi preservado, junto com sua mobília, como um ícone do requinte construtivo que predominou no sul do país, entre as classes abastadas, em fins do século XIX e princípios do século XX. O período é apontado como o ápice do desenvolvimento cultural e econômico do município que, embasado na indústria charqueadora e adquirindo gado em grande quantidade nos territórios orientais, acumulou riquezas e conquistou posição de relevo no cenário nacional. Da prosperidade de Jaguarão originou-se o belo patrimônio arquitetônico, a paisagem urbana reconhecida e destacada, em grande parte, por possuir conjuntos de casarios e não somente bens históricos isolados, que sobreviveram à evolução da cidade como testemunhos ou referenciais do passado.A construção foi dirigida por Martinho de Oliveira Braga e serviu como residência familiar do médico e político influente que atuou no meio Republicano, como um de seus principais agentes, em um momento de grande movimento e agitação na história do país. Carlos Barbosa Gonçalves nasceu na cidade de Pelotas em 8 de abril de 1851 e, logo na infância, passou a estudar em Jaguarão. Aos quinze anos foi para o Rio de Janeiro e obteve, primeiramente, o diploma de Bacharel em Ciências e Letras. Em 1870, na capital do país, recebeu o grau de Doutor em Medicina, então com 24 anos de idade. Em 1879, após uma estadia na Europa, retornou para a fronteira sulina e, no meio político, trabalhou em diferentes esferas. Engajado na causa abolicionista, foi presidente e diretor da Comissão de Liberdade da Sociedade Emancipadora Jaguarense e responsável pela criação do jornal A Ordem. Apontado como um dos fundadores do partido Republicano Rio-Grandense em Jaguarão, no auge de sua trajetória chegou à Presidência do Estado no ano de 1908, e nela permaneceu até 1913.Nos últimos anos de sua atuação no cenário político, foi eleito senador da República em 1920, cargo ao qual foi reconduzido em 1927. Em 1929 renunciou às atividades por questões de saúde e faleceu, algum tempo depois, então com 82 anos, em Jaguarão.A ideia de preservar a residência da família como tal partiu de sua última herdeira, Dona Eudóxia Barbosa de Iara Palmeiro, filha do Dr. Barbosa e de Dona Carolina Cardoso de Brum. Mantido através de uma fundação, responsável pela salvaguarda dos bens, o museu está aberto à visitação desde 1978. Com 23 cômodos e mais de 600 metros quadrados, seu maior destaque se dá em função da autenticidade dos artefatos que o compõe. Ao visitá-lo, é possível se apreciar a beleza da fachada que resistiu ao tempo, com seus elementos inspirados na arquitetura greco-romana, as portas e as janelas trabalhadas artesanalmente em madeira, e observar a delicadeza das grades com filigranas, que permitem o acesso ao jardim interno da residência, ornamentam escadas e gateiras, e oferecem um rico exercício para o olhar.No interior do casarão se vêem os detalhes do mobiliário em sua diversidade, que comporta desde objetos cotidianos de uso pessoal à valiosas obras de arte, fotografias, têxteis, e coleções características da época, a maioria em estilo neoclássico e art noveau. O museu Carlos Barbosa possui, ainda, farta documentação primária que se encontra em estudo e organização para que, em adequadas condições de proteção e manuseio, um dia possa ser acessada por pesquisadores e interessados na área.Além do patrimônio da família que usufruiu do apogeu do período oitocentista e, sem descendentes, deixou o século XIX em sua última geração, encontramos no museu um caminho que conduz à construção de conhecimentos acerca do passado por meio de leituras da cultura material. Embora se perceba a ênfase, não são apenas os registros biográficos da passagem do médico e governante político que despontam. A investigação das coleções de objetos e soluções arquitetônicas narra interessantes aspectos sobre como as sociedades foram se organizando historicamente, e as peças em salvaguarda incidem e reconstroem fragmentos de nossa memória social. A imensa gama de objetos importados da Europa, localizada no acervo, alude, por exemplo, a freqüente atividade de trocas e transações entre a pequena cidade do sul do Brasil e o Velho Continente. Chama a atenção o fato de que a residência, reconhecida por ser a primeira a ter luz elétrica na cidade, conserve, até os dias de hoje, as originais lâmpadas com filamento de carbono em funcionamento.Para se chegar aos quartos das filhas do casal, era necessário passar antes pelos quartos dos pais. Este é um dos reflexos das relações de gênero, presentes neste contexto social, que revela o cuidado que se tinha para se conduzir às mulheres de família, em castidade, à união sacramental. Ao transitar por um universo intimista, vemos em exposição as antigas vestes e adereços usados, em constante diálogo com a moda vigente.As camas projetadas individualmente, pequenas e estreitas, aludem à baixa estatura de seus ocupantes. A concepção detalhada dos móveis demonstra a importância dos artífices e marceneiros, muitos deles estrangeiros, que com a perícia técnica impressionavam e tinham seu público garantido nas elites brasileiras.O passadiço envidraçado, que circunda o belo jardim do pátio interno, foi uma projeção inovadora àquele momento, concebida com o intuito de iluminar e ventilar a casa, dividida entre cômodos de inverno e cômodos de verão. Em função dos riscos de infecções e contágios que assolavam o período, acreditava-se que a construção de paredes com o pé direito alto amenizaria a circulação de vírus. Em razão do mesmo motivo, a localização dos banheiros se dava comumente afastada das principais zonas da moradia. Quando o Dr. Barbosa optou pela disposição da peça no interior de seu palacete, causou impacto a decisão. Daí que, ao projetar a banheira, esculpida no próprio local de instalação, seu construtor trabalhou em mármore duas argolas, como se fossem alças de caixão, em alusão ao perigo de se dispor o quarto de banho em proximidade aos demais ambientes familiares. Estes são apenas alguns dos aspectos históricos e curiosidades que podem ser encontrados no local. Ao se contemplar o universo imaginário, muitos são os fantasmas que habitam o antigo casarão. Como uma ponte entre o passado e o presente, o Museu Carlos Barbosa possibilita múltiplas narrativas a partir do trabalho para com o seu acervo. Interessante para adultos e crianças é a visita guiada, conduzida pela equipe da fundação, que pode ser realizada de terça a sábado, das 9 às 11h e das 14 às 17h. O valor cobrado é de R$ 5,00 por pessoa.

*Licenciada em Artes Visuais - UFPel Mestranda em Memória Social e Patrimônio Cultural - UFPel

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Jacob Rheingantz - O Primeiro Colonizador






Fotos e Parte do material consultado gentilmente agradecemos a pessoa de Emanuelle Freitas Duarte Funcioanriao da Casa de Cultura de São Lourenço do Sul-Terra de Todas as Paisagens



Jacob Rheingantz




Jacob Rheingantz (Sponheim, 10 de agosto de 1817 — Hamburgo, 15 de julho de 1877) foi um comerciante e administrador alemão que trabalhou no Brasil .
Filho de Johann Wilhelm Rheingantz e Anna Maria Kiltz, dedicou-se inicialmente ao comércio. Em 1839 partiu para a França, trabalhando algum tempo no produtor de champagne Veuve Clicquot. Em 1840 parte para os Estados Unidos da América para encontrar seu irmão Jacob que lá morava, porém ao chegar soube que ele havia falecido.
Permaneceu nos Estados Unidos até 1843, quando partiu para o Rio Grande do Sul. Estabeleceu-se em Rio Grande, empregado na casa comercial de Guilherme Ziegenbein. Em 1846 convence seu irmão Phillip a emigrar para o Brasil.
Em 9 de julho de 1848 casou-se com Maria Carolina Fella, com quem teve dez filhos. Após o casamento passou a residir em Pelotas.
Em 1856 contrata com o governo imperial do Brasil a compra de terras devolutas na Serra de Tapes, para fundar uma colônia. Viajou em 1857 à Alemanha para divulgar sua nova colônia.
Em 1958 com o sócio José Antônio de Oliveira Guimarães, fundou a Colônia São Lourenço. A primeira leva de imigrantes com 88 pessoas, vindos no navio holandês Twee Vrienden, partiu de Hamburgo e também trouxe a bordo os pais e cinco irmãs e irmãos de J. Rheingantz. Mudou-se com a família para a própria colônia onde além de diretor e empresário foi a autoridade máxima na colônia pois o governo provincial por muitos anos não forneceu nenhum auxílio na área de educação, religião ou segurança. Devido à iniciativa privada da colônia, era considerado rival dos empreendimentos estatais.
Em 1867 um motim estalou na colônia, levando Rheingantz a mudar-se com a família para Rio Grande. Tendo o Barão von Kahlden acumulado interinamente a direção da Colônia São Lourenço e Santo Ângelo. Tendo os líderes sido presos, os ânimos foram logos aplacados. O barão então convenceu Rheingantz a retomar a direção de sua colônia.
Com novos planos de expansão da colônia, retornou à Alemanha em 1877 para angariar mais colonos. Entretanto faleceu subitamente em Hamburgo.
No ano de sua morte sua colônia era um sucesso, já tinha um total de 52 mil hectares e mais de seis mil moradores entre imigrantes e descendentes, além de 16 escolas particulares destinadas à educação da nova geração.
Fonte de referência
COARACY, Vivaldo. A Colônia de São Lourenço e seu fundador - Jacob Rheingantz. Oficinas Gráficas Saraiva, São Paulo, 1957.


Colônia São Lourenço

A Colônia São Lourenço foi fundada no Rio Grande do Sul em 1858 pelo alemão Jacob Rheingantz. Lá se estabeleceram imigrantes alemães na sua grande maioria da Pomerânia e da Renânia, ambas províncias do Império Prussiano (Prússia) de então. Se situava em terras do município de Pelotas em área que hoje se encontra no município de São Lourenço do Sul.
Após o falecimento de Jacob Rheingantz em 1877 a colônia foi administrada, por um curto período, por seu filho mais velho e depois por seu genro, o Barão von Steinberg, por 13 anos. Depois dele se sucederam outros dois filhos por curto período de tempo. A viúva de Jacob Rheingantz, D. Carolina, vendeu finalmente todos seus direitos sobre a colônia em 1898 a Jacob Scholl.
A Colônia São Lourenço era subdividida em picadas e as picadas em lotes que tinham dependendo da topografia em torno de 100 braças de frente (220 metros) por 1000 braças de fundo, perfazendo uma área de 48,4 hectares cada lote. Na realidade onde a topografia era mais acidentada esta medida variou bastante e com o passar do tempo foram vendidas muitas colônias com apenas 50 léguas de frente contendo então metade desta área inicial.
Além das 8 léguas quadradas que Rheingantz comprou do Governo Imperial teve que adquirir várias outras áreas para garantir o acesso à colônia. Também mais tarde comprou áreas adjacentes de vizinhos chegando a Colônia São Lourenço a somar por ocasião de sua morte 12 léguas quadradas, ou seja 52.320 hectares com uma população de aproximadamente 6 mil pessoas. A população da Colônia São Lourenço na virada do século XX era de 12.000 pessoas.



Uma casa para a memória da região

Em 2008, para marcar os 150 anos da imigração alemã e pomerana em São Lourenço do Sul, a comunidade, em parceria com a Secretária de Turismo, industria e Comércio e uma grande equipe coordenada pela Fundação Simon Bolivar (FSB), trabalhava para dar forma ao prjeto do Museu Casa da Imigração.
Parte importante do projeto foi a criação, em abril de 2008, do Instituto Cultural Educacional Casa da Imigração (ICECI), especificadamente para responder pela gestão do futuro Museu a ser implantado na localidade de Picada Moinhos, sexto distrito municipal. Para servir como sede, a casa construída em torno de1860 por Jacob Reighantz, fundador da Colônia de São Lourenço do Sul (1858) embrião do atual municipio e centro irradiador da presença pomerana e alemã na região, será revitalizada. Concluído em dezembro de 2008, o projeto está em fase final de transmição junto ao Ministério da Cultura.



Monumento ao Colono
Está localizado na Coxilha do Barão, onde morou o colonizador do município, o alemão Jacob Rheingantz, responsável pelo assentamento de grande número de imigrantes alemães.


Túmulo de Jacob Rheingantz
Após vários anos sem se saber precisamente onde se encontravam os restos mortais do fundador da Colônia de São Lourenço do Sul, foi encontrada na década de 80 uma passagem por debaixo do altar da Capela da Coxilha do Barão, que levava a uma peça no subsolo onde estava o caixão do alemão Jacob Rheingantz. Atualmente há ali uma passagem por baixo da Capela Evangélica, onde pode ser visto o túmulo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O HERÓICO FILHO DA PRINCESA DOS TAPES










CORONEL JOAQUIM TEIXEIRA NUNES (1801-1844)
O maior lanceiro farrapo



A minisérie A Casa das sete mulheres esta focalizando a malograda tentativa de em Laguna –Santa Catarina dos farrapos e ali estabelecerem a República Juliana e nela um porto de mar para eles .
A personagem principal deste episódio foi o Coronel Teixeira Nunes no comando seu célebre Corpo de Lanceiros Negros Farrapos, cuja existência não vinha sendo ressaltada pela historiografia bem como o seu líder o Cel Teixeira Nunes , a maior lança farrapa ,segundo o General Tasso Fragoso e praticante das virtudes de Firmeza e Doçura inscritas no brasão da Republica Rio Grandense sob a forma de dois amores perfeitos e assim traduzidos : Firmeza ao combater com toda a garra e valor visando a vitória .Doçura, depois de vencido o combate respeitar como religião do prisioneiro inerme a sua vida ,honra ,família e patrimônio .
Teixeira Nunes foi vítima fatal no último combate farroupilha antes da Paz depois de haver salvo em Porongos com os seus Lanceiros Negros a República de um colapso total .
Garibaldi que foi seu comandado em Laguna e na retirada para o Rio Grande do Sul e mais tarde na Itália lembrou o seu grande valor como um dos mais assinalados guerreiro farrapos e também como o Bravos dos bravos.

Significação histórica

Prestou distintos serviços militares à Independência e Soberania do Brasil na Guerra Cisplatina 1825-28, como alferes de um Regimento de Cavalaria das Missões. Participou da Batalha de Passo do Rosário, em 20 de fevereiro de 1827 e teve papel destacado ainda nesta guerra, contra uma incursão profunda inimiga que penetrou até rio Camaquã a partir do rio Jaguarão.
Na Revolução Farroupilha foi um dos mais constantes, intrépidos e denodados líderes de combate . Brilhou em diversas ações, ao ponto de ser classificado por Assis Brasil "como o maior herói da Revolução" e pelo General Tasso Fragoso como " a maior lança farrapa".
Participou com destaque do combate de Rio Pardo, em 1838, e da expedição a Laguna, em 1839, na liderança de celebre 1º Corpo de Lanceiros Negros, constituído de escravos libertos.
Seu maior feito estratégico foi derrotar, em Santa Vitória (Bom Jesus) a Divisão Paulista ou da Serra, enviada de São Paulo para lutar contra a Revolução.
Isto quando em companhia de Garibaldi, Rosseti e Anita Garibaldi, retornava da malograda expedição a Laguna, em 1839.
A Teixeira Nunes coube, em 26 de novembro de 1844, a última reação armada da República Rio - Grandense, que custou-lhe a vida, após memorável e comovente reação junto com seus lanceiros negros na surpresa de Porongos, doze dias antes.
Sua importância na Revolução Farroupilha por ser medida pela lembrança dele de Garibaldi, já herói da unificação da Itália, nestas palavras em carta a Domingos José de Almeida.
" Eu vi batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem lanceiros mais brilhantes que os da Cavalaria Rio -Grandense... Onde estão estes belicosos filhos do Continente, tão majestosamente intrépidos nos combates? Onde Bento Gonçalves, Netto, Canabarro, Teixeira Nunes e tantos outros."

Naturalidade, ascendência e perfil militar

Teixeira Nunes nasceu em 1802 na costa do rio Camaquã, no então Curato de Canguçu e filho dos primeiros povoadores de Canguçu. 1
Sobre seu perfil militar escreveu seu conterrâneo Caldeira que foi seu porta-estandarte no combate do Rio Pardo em 1838 e que, em Canguçu, prestou a historiadores gaúchos os mais importantes depoimentos sobre perfis militares dos líderes farrapos, os únicos que se dispões e publicados. 2
" Teixeira Nunes foi um dos oficiais de maior nomeada que possuiu a Revolução Farroupilha. Era uma lança das primeiras.
Com o Corpo de Lanceiros Negros a seu mando, alongava do exército, para operar com seus próprios meios, em qualquer parte que o inimigo aparecesse.
Era o terror dos seus inimigos. Onde carregava o Corpo de Lanceiros Negros ao seu comando surgia a vitória. Teixeira era humano. Durante a peleja matava por ser contingência da luta, e depois da vitória não morria um só prisioneiro. Era um oficial que sabia fazer a guerra de recursos.( a guerra á gaúcha de guerrilha) Esbelto e galhardo, apresentava-se à frente de seu corpo na ocasião do combate.
Oficial que manejava a lança com invulgar destreza, de estatura mais alta do que baixa, montando garbosamente seu cavalo, sobranceiro, seria capaz de dominar qualquer inimigo. Sua voz de comandante feria os ouvidos. Possuía invulgar espírito militar.
Em novembro de 1836, Teixeira Nunes era major do Corpo de Lanceiros Negros (corpo formado por pretos escravos ou libertos), a esse tempo comandados pelo Tenente Coronel Joaquim Pedro Soares.
No dia 6 desse mês, feita a eleição para Presidente da República, realizou-se na igreja de Piratini um Te Deum. E quando as autoridades de novel Estado Rio-Grandense e l massa popular em cortejo solene, se dirigiam para templo, ia à frente deles e pela primeira vez desdobrado à luz do céu, o pavilhão tricolor, o símbolo da República Rio-Grandense.
E quem o conduz, fremente de emoção e entusiasmo, ufano da glória de ser o primeiro a carregar a bandeira gaúcha, é o major de lanceiros Joaquim Teixeira Nunes.
Dentro de pouco tempo seria ele o comandante dos lanceiros negros. E à frente desta força praticaria façanhas sem conta, intervindo em inúmeros combates, até ornar os punhos com galões de coronel."
Teixeira Nunes, por seu raro valor como líder de combate, rusticidade e habilidade em conduzir operações de guerra prolongada, vivendo de parcos recursos locais e mais a legenda de combatente humano e generoso que se criou em torno de seu nome, seria tratado pelo título honroso de O Bravo dos bravos.

Expedição a Laguna – SC

Ele foi um dos mais constantes combatentes farroupilhas. Sua consagração como soldado adveio da expedição que realizou por terra a Laguna-SC, coadjuvado por Garibaldi por água, resultando a Proclamação da República Juliana.
Esta, em sinal de reconhecimento, o promoveu a coronel e fez do Capitão Garibaldi o comandante de sua Esquadrilha Naval.
Ao apossar-se, sem reação, de Laguna, em virtude de retraimento do comandante daquela praça, além dos navios de guerra auxiliou Garibaldi e John Griggs a aprisionar ou colocar fora de combate. Reforçou consideravelmente sua logística, ao cair em seu poder 14 barcos abarrotados de mercadorias, 6 bocas de fogo, cerca de 500 armas e para mais de 36.000 cartuchos carregados.
Em Ordem do Dia, após a vitória alcançada, Teixeira Nunes assim se expressou ao agradecer a ação de seus bravos comandados:
" Iguais se não maiores respeitos e consideração adquiriu o Capitão José Garibaldi, comandante da força naval da República. Em nome da Pátria agradeço-lhe a maneira como desempenhou a parte do plano de ataque que lhe coube executar, fazendo uma jornada de mais de duas léguas por terra ( transporte dos lanchões Seival e Farroupilha ), sendo o primeiro a lançar-se n’ água para desencalhar o lanchão Seival, preso ao baixo do Camacho."
Teixeira Nunes, ao chegar em Laguna, lançou proclamação vazada nos seguintes termos:
" Irmãos catarinenses, empunhai as armas conosco e arrancai a segunda província ao diadema do segundo Pedro: Mostrai porém, que os verdadeiros livres, mesmo no afã da guerra, sabem manter a ordem, obedecer às leis e respeitar a propriedade."
Talvez o redator de suas proclamações era italiano Luiz Rosseti.

Teixeira Nunes e o ideal federativo

Em seguida, fez chegar aos líderes catarinenses uma carta circular, cujo teor reproduzimos a seguir:
" Proclamando a Independência de Santa Catarina, não penseis que isto afetará os interesses do Brasil, do solo sagrado dos brasileiros, pois que a República Rio0Grandense, conscienciosa de sua dignidade, do espírito da grande maioria dos brasileiros e da honrosa missão que lhe foi confiada, não tem tanto a peito, quanto a federação aos estados seus irmãos."
Não havia a idéia de separatismo e sim República Federativa do Brasil regime em que vivemos há 114 anos
Após derrotado Garibaldi no mar, Teixeira Nunes foi forçado a retrair sob forte pressão de João Fernandes, chefe legalista. Atravessou o canal de Laguna a nado, indo reunir-se com Canabarro, no passo do Camacho.
Havendo discordância sobre operações futuras entre Canabarro e Teixeira Nunes, enquanto o primeiro se dirigiu ao Rio Grande, Teixeira Nunes convicto de que perdeu uma batalha , mas não a guerra, dirigiu-se para o planalto e com ele Garibaldi, agora infante, e Anita e Rosseti, todos já ligados por laços de amizade.


Derrota a Divisão da Serra


Na margem norte do rio Pelotas, no interior de um mangueirão de pedra, feriu-se um cruento e encarniçado combate que passou à história, com o nome de Santa vitória.
Nele, Teixeira Nunes, tendo Garibaldi no comando de sua Infantaria, infligiu pesada derrota na Divisão da Serra ou de São Paulo, ao comando do Brigadeiro Xavier da Cunha.
Após a vitória reuniu os prisioneiros e para surpresa de todos ouviram de Teixeira Nunes estas palavras:
"Vocês estão livres ! Voltem para casa para cuidarem de suas famílias !.
E lá se foram todos de volta para São Paulo e Paraná
Este combate lhe possibilitou entrar triunfalmente em Lages, vila que encontrou com os cofres raspados e sem administração, o que procurou refazer, bem como a refazer os uniformes de sua tropa, dando contas precisas de tudo aos seus superiores em Caçapava.
Em Lages, Teixeira Nunes, agora com o comando militar e político, procurou tratar o povo como amigo, dirigindo a guerra não contra a população, mas contra os defensores do governo.
Procurou ignorar atitudes hostis e, habilmente, por todos os meios, conquistar a confiança dos simpatizantes da causa, revelando mais um positivo aspecto militar de sua personalidade.



Visão estratégica


Sobre sua visão política e estratégica, podemos concluir muito boa, pelos termos da carta abaixo, em que advogava a manutenção de Santa Catarina e sobretudo de Lages:
"Esta fronteira (Lages), é de primeira importância para nós, seja com respeito ao grande rendimento das tropas de gado, seja porque daqui podemos manter comunicações, não só com a Província de Santa Catarina, como também a de São Paulo e vigiar, com maior facilidade, os distritos de Vacaria, Cima da Serra e Missões. Logo deve ser este ponto guarnecido, por uma força correspondente às infinitas vantagens que o mesmo apresenta."

Combate de Curitibanos

Sabendo Teixeira Nunes que tropa do Coronel imperial Antônio Albuquerque Mello andava em seu encalço, saiu à procura da mesma na direção de Curitibanos, onde se feriu o combate de Marombas. Nele, Teixeira Nunes, após um sucesso inicial, caiu numa emboscada, sendo salvo pela Infantaria de Garibaldi que o acolheu .
Salvou-se da destruição total, ao embrenhar-se numa mata, através da qual atingiu Lages no 5º dia, após indiscritíveis sofrimentos no matagal.
Anita Garibaldi extraviou-se neste combate. Sendo presa por Albuquerque Mello, conseguiu empreender uma épica fuga vindo a se encontrar com a coluna de Teixeira Nunes e com Garibaldi, em Vacaria.
No Rio Grande, juntamente com Garibaldi e sob o comando de Bento Gonçalves, tomou parte do indeciso combate de Taquari, no qual comandou uma Brigada Ligeira de Cavalaria.
Posteriormente, sob o comando de Bento Gonçalves, se destacou no ataque de S. José do Norte, no qual cambateram a seu lado seus velhos amigos de tantas jornadas na república Juliana - Garibaldi e Rosseti.
Aí, Teixeira Nunes, já conhecido como "Coronel Gavião", bateu-se com um denodo sem precedentes, fato reconhecido em Ordem do Dia de Bento Gonçalves.
Depois foi operar para os lados de Bagé. Atacou Jaguarão, em 19 de dezembro de 1843.
Os lanceiros negros de Teixeira Nunes foram, em grande número, recrutados nos municípios atuais de Arroio Grande, Canguçu, Piratini, Pinheiro Machado, Herval, Bagé, Camaquã, São Lourenço do Sul, Pelotas, Pedro Osório, Caçapava e Encruzilhada do Sul.
Ao homem que desfraldou e portou pela primeira vez o pavilhão tricolor da República Rio-Grandense, coube o privilégio de comandar no Rio Grande, a última reação armada do ideal republicano farroupilha, em 26 de novembro de 1844. Ideal que não viveu para ver concretizado para todo o Brasil, 45 anos após.

Garibaldi recorda Teixeira Nunes

Foi por certo pensando no bravo canguçuense Teixeira Nunes e nos seus bravos lanceiros, com os quais Garibaldi conviveu e padeceu irmanado, na longa odisséia desde sua derrotas naval em Laguna, até o frustrado ataque a São José do Norte, que escreveu em suas Memórias e cartas estes trechos:
"Os gaúchos rio - grandenses eram homens habituados a todas as privações, e nunca de uma só boca ouvi lamentação de fome e sede; ao contrário, mesmo em tão dolorosa situação, desejavam combater."
" Eu vi batalhas mais disputadas, mas nunca vi em nenhuma parte, homens mais valentes, nem lanceiros mais brilhantes, que os da cavalaria rio - grandense, em cujas fileiras comecei a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das gentes."
Quando a Europa celebrava Garibaldi como figura mais romântica do mundo, ele se lembraria do canguçuense Teixeira Nunes, seu comandante na retirada da República Juliana.
"E repassando na memória as vicissitudes da minha vida no vosso meio, em 6 anos de atividade de guerra, de constante prática de ações magnânimas como que em delírio exclamo! Onde estão agora esses belicosos filhos do Continente, tão majestosamente intrépidos nos combates? Onde Bento Gonçalves, Netto, Canabarro, Teixeira Nunes e tantos valorosos lanceiros que não me lembro!
Que o Rio Grande ateste com uma modesta lápide o sítio em que descansam os seus ossos; e que vossas belíssimas patrícias cubram de flores esses santuários das vossas glórias."

Final de Teixeira Nunes

O final do maior lanceiro farrapo foi assim descrito por seu citado conterrâneo, o tenente farrapo Manoel Alves Caldeira e seu comandado como porta-bandeira no combate de Rio Pardo.
Por ordem de Canabarro, após Porongos, Teixeira Nunes foi acampar no arroio Chasqueiro. Aí foi procurá-lo o Cel Chico Pedro, baseado em Canguçu no comando da Ala Esquerda do Exército de Caxias e em 26 de novembro de 1844.
"Chico Pedro marchava pela estrada real em direção do passo onde se achava Teixeira Nunes - o seu inimigo dos mais temíveis e respeitados...
Chico Pedro ou Moringue carregou sobre a pequena força de Teixeira Nunes que não podendo suportar as cargas foi derrotada e perseguida de morte em morte.
O cavalo de Teixeira Nunes foi boleado(atingido por boleadeiras) e assim mesmo Teixeira Nunes a pé continuou se defendendo com sua lança.
Mas foi também boleado com a sua célebre lança. E não podendo mais manejá-la, foi rodeado pelos que mais perto o seguiam. Um deles deu um tiro em uma coxa. Nesta ocasião chegava junto a ele Chico Pedro ao qual disse - Coronel não me deixa matar. Chico Pedro seguiu e virando a cara para o lado disse: - Não matem o homem. Teixeira tinha feito um sinal de socorro e morreu.
Tasso Fragoso ao escrever a sua História da Revolução Farroupilha impressionado com o valor de Teixeira Nunes o classificou "a maior lança farrapa" . Fernando Osório em A História do General Osório o chama de "valente chefe" e Schultz Filho o classifica de "garboso comandante de Lanceiros e o primeiro entre os primeiros na missão arriscada".
Teixeira Nunes foi um dos esquecidos por Alfredo Ferreira Rodrigues no seu Almanaque Literário e Estatístico do RGS 1889-1917. Ao lado do próprio Caldeira que tão valioso subsidios forneceu-lhe. Ai falhou a História como instrumento de verdade e justiça.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A HISTORICA FAZENDA DO SOBRADO










Fotos: Gentilemente Cedidas da Casa da Cultura de Sao Lourenco do Sul


Na Pessoa de Emanuelle Duarte









Histórico

O Sobrado é em estilo colonial português, construído por escravos na primeira metade do século XIX, constitui a sede da Fazenda, recebendo turistas atraídos por seu valor histórico e cultural.
A Fazenda do Sobrado está situada a 1 km do centro da cidade, as margens da Laguna dos Patos, a Fazenda do Sobrado já presenciou Revoluções escravas e fantasmas da história gaúcha.
É costume dizer –se que, nas noites de vendaval, ouvem –se vozes vindas do antigo casarão. Serão quem sabe, de Bento Gonçalves, o General Farrapo que costumava visitar sua sobrinha, D. Constança, então proprietária. Serão talvez as vozes de Garibaldi que, subindo o arroio, era visto, por vezes revendo amigos e amores... !Quem sabe ainda as vozes dos escravos, clamando por sua liberdade...!
O Sobrado foi construído no final do século XVIII e primeira metade do século XIX.
A referência mais antiga sobre o nome da Fazenda do Sobrado é de 1805, em documento que aparece na Vila de Rio Grande sobre o batizado de Ezequiel Soares da Silva, feito na Fazenda do Sobrado.Há um testamento de 1826 de José da Costa Santos, feito um mês antes de sua morte, que se referia à Fazenda, e no qual consta a adoção das terras onde hoje se encontra a Vila do Boqueirão, a Nossa Senhora da Conceição (Padroeira do município), terras nas quais deveria ser construída a Capela, fato que ocorreu somente em 1830 (a Capela foi construída e ampliada em 1848). José da Costa Santos tornou-se desta forma, juntamente com sua mulher Anna Joaquina (Donana) benfeitor daquela Capela.
Para frisar a importância do Sobrado na fundação e no desenvolvimento de São Lourenço, Anna Joaquina, mulher de José da Costa Santos e irmã de Bento Gonçalves, tinha uma filha, Perpétua, casada com Antônio Francisco dos Santos Abreu, o qual, administrava a fazenda já partilhada, mas ainda não dividida.
No período da Revolução Farroupilha, o Sobrado serviu de quartel general para Bento Gonçalves e seus comandados.
Garibaldi construiu seus navios para atacar Laguna em Santa Catarina com madeira no Rio Camaquã e apoio logístico do Sobrado.
Era no Sobrado que se reunia o alto comando da deliberação sobre os rumos da guerra na região do litoral.
Existem crônicas no arquivo histórico sobre os namoros de Garibaldi com familiares da Fazenda do Sobrado.
Donana antes de morrer, pedira à sua filha Perpétua e ao seu genro Antônio Francisco que na oportunidade de seu falecimento, fosse sepultada na Capela (situada no Boqueirão) da qual ela se considerava uma benfeitora, pedido que foi rigorosamente atendido (está sepultada no assoalho da igreja).
Quando faleceu o padre Maximiliano Strauss, como Pároco da Igreja do Boqueirão, ele pediu para seus superiores, que o assistiam no leito de morte, que fosse sepultado sob o assoalho de sua Capela, determinando com precisão que o túmulo fosse ao lado da pia batismal a tantos metros desta. O pedido foi cumprido, após o marceneiro ter retirado a terra para fora da igreja, quando de repente, surge um cadáver que havia sido sepultado em um caixão requintado, pois se notavam, incrustada nos pedaços de madeira que ainda que ainda restavam, placas metálicas, eram os restos mortais de Donana, que se encontravam lá até os dias de hoje.
Mais tarde se soube que não se tratava de uma simples coincidência no sepultamento, pois o padre também se considerava um benfeitor da Vila e da Capela do Boqueirão, pois ele acertou com a diocese de Pelotas a regularização dos terrenos pertencentes a Capela, porquanto todos os moradores da Vila não detinham a propriedade plena. Obviamente, em contraprestação, houve pagamentos, os quais foram carregados por um fundo de desenvolvimento da Vila.
Havia naquela época gente que não aceitava a atitude do padre, dizendo que era um sacrilégio a venda das terras de Nossa Senhora, e que por este motivo, sentiam prazer em pisar no padre quando entravam na Igreja.
Com respeito a Donana diziam que era uma pessoa muito severa com os escravos, tanto que chegava as raias da tirania. Contava-se que as cinco da manhã já estava de pé, distribuindo ordens e mandos aos escravos e até, ás vezes, com os escravos no tronco de castigo por desobediência, atitudes estas totalmente reprovadas por seu marido, que era um homem com vocação religiosa e sublime bondade, fato comprovado no conteúdo de seu testamento.
O Sobrado também é conhecido como Solar dos Abreu, pois com o desenvolvimento posterior da fazenda e com o casamento das três filhas de José da Costa Santos e de Anna Joaquina (Donana), uma casou-se com Vieira Braga, estabelecendo-se com a Fazenda em terras em Santa Isabel, outra, Tereza, com Inácio José de Oliveira Guimarães, e a mais moça, Perpétua, casou-se com Antônio Francisco dos Santos Abreu, que ficou instalado no próprio Sobrado e com terras que se estendiam do arroio São Lourenço até o Passo das Pedras e proximidades do Boqueirão.
Na Revolução Farroupilha todo o Governo de Pelotas ficou acéfalo. Os ricos, monarquistas, fugiram todos para Rio Grande. Então, toda a região sul do Estado ficou centralizada em Boqueirão, e o chefe deste governo, Chefe Farroupilha, era José Inácio que deu todo apoio logístico aos Farrapos através dos escravos, fornecendo cavalos e gado, inclusive com a construção de barcaças, com auxílio da Fazenda do Sobrado.
Este Inácio José de Oliveira Guimarães foi eleito deputado, ou seja, foi o primeiro deputado de São Lourenço do Sul. Foi também deputado da Assembléia dos Constituintes dos Farrapos, em 1842, em Alegrete. José Antônio de Oliveira Guimarães depois do casamento, foi morar na margem esquerda do arroio onde já existia o povoado incipiente e, com isso freqüentando o Sobrado, que também era sua casa, por ambos os lados. Mais tarde fundou, juntamente com Jacob Rheingantz, a colônia de São Lourenço do Sul.
O nome atual do município de São Lourenço do Sul tem origem obviamente na Fazenda São Lourenço, também conhecido desde aquela época como Estância do Sobrado, que foi diversas vezes requisitada, não só no período de Revolução Farroupilha, como também na Guerra do Paraguai. Na Revolução Farroupilha, muitas vezes, Bento Gonçalves veio ao Sobrado para acertar contatos políticos com o principal assessor de sua campanha, José Joaquim de Oliveira Guimarães, pai de José Antônio, que fez loteamento.
Na Guerra do Paraguai, a Fazenda deu sua contribuição, atendendo o chamado Império, através de seus mais ilustres filhos, Joaquim Francisco dos Santos Abreu (Almirante Santos Abreu), seu irmão mais velho, Antônio Francisco dos Santos Abreu (Barão dos Santos Abreu), nomes dados a ruas não só de São Lourenço, como também Pelotas e Porto Alegre.
Desde o final do século XVIII, a Estância era conhecida dos navegantes da Lagoa, pois o Sobrado servia de farol com um lampião que Donana conservava todas as noites em uma janela bem do alto, pois de Pelotas a Porto Alegre não existia nenhuma construção daquele porte á margem da Laguna dos Patos. Ademais era tão importante aquela Estância que por ocasião da morte de José da Costa Santos em 1826, a viúva Donana recebe o alvará expedido por Dom Pedro I concedendo a tutoria das três filha menores enquanto solteiras e a condição de inventariante, muito embora o inventário só ocorreu após a morte de Donana, que está sepultada no sub solo da atual igreja do Boqueirão (1º distrito de São Lourenço do Sul).
Atualmente o Sobrado pertence à família Serpa, desde 1965, com uma extensão de 300 hectares com cultivo agrícola e atividade pecuária; contemplando um agradável espaço de turismo rural. Trata-se de um complexo com hospedagem, lides campeiras, passeios a cavalos, trilhas, e a gastronomia típica do gaúcho. Um espaço que abrange local para eventos, no galpão todo ornamentado com utensílios da lida e da vida do campo e uma arquitetura que mantém consigo a memória da Epopéia Farroupilha.



Nome: Hotel Fazenda do Sobrado
Dados dos responsável:
Nome: Ivany Serpa
Endereço: Alameda Mano Serpa,s/n
Cep: 96170-000
Cidade: São Lourenço do Sul /RS
Tel: (53) 3251- 2141
Fax: Não possui
E-mail: betaw@hotmail.com






FICA AQUI DE PÚBLICO A NOSSA HOMENAGEM A TODA TERRA LORENCIANA E SEU POVO! POSTAMOS ACIMA TAMBEM UMA FOTO DO BELO EVENTO QUE TODO ANO ACONTECE NESTA CIDADE, O REPONTE DA CANÇAO NATIVA, QUE TODO ANO COMEMORA COM UM BELO CHURRASCO DE CONFRATERNIZÃO ENTRE OS MUSICOS,POETAS,PARTICIPANTES, ORGANIZADORES E A COMUNIDADE EM GERAL. ESTE MESMO CHURRASCO A VÁRIOS ANOS É FEITO A SOMBRA DA MÍSTICA FAZENDA DO SOBRADO.













quinta-feira, 20 de maio de 2010

OS DRAGOES DE RIO PARDO TOMO I


FOTOS: ALAN REDU





Os Dragões de Rio Pardo

Os Dragões eram soldados treinados para combater a pé e a cavalo, conforme as exigências das circunstancias, e foram fundamentais para a formação do Rio Grande do Sul. Valentes, fortes, grandes cavaleiros, guerreiros invencíveis, manejando a espada, a lança, a pistola ou o mosquete, os Dragões escreveram com seu sangue páginas brilhantes ao longo dos 82 anos de sua permanência em Rio Pardo.
Organizados como um esquadrão, primeiramente pelo Brigadeiro José da Silva Paes no Presídio Jesus-Maria-José, no Porto de Rio Grande, seu primeiro comandante foi o bravo capitão Francisco Pinto Bandeira, grande herói da nossa formação. Em 1737, a rigor, começa a saga do glorioso regimento, mas só em 1739, sob o comando de Diogo Osório Cardoso e logo de Tomaz Luiz Osório, começa verdadeiramente a saga heróica dos Dragões.
Em 1750, é assinado o Tratado de Madrid, assinalando o começo de um período de paz entre Espanha e Portugal. E os exércitos ibéricos tiveram que vencer a resistência missioneira para ocupar o Sete Povos das Missões. Os Dragões se cobrem de glória. Logo depois, têm que enfrentar os próprios espanhóis de Vertiz e De Ceballos, firmando o nome de Rio Pardo como Tranqueira Invicta. Os Dragões casavam com as moças de Rio Pardo e formavam as famílias dos grandes heróis da formação da nossa terra.
E hoje aí está Rio Pardo, bela no seu casario vetusto. No velho pórtico de heróis que dá entrada ao histórico Colégio Militar de Rio Pardo - hoje o Centro Regional de Cultura -


Fonte: Coluna Nico Fagundes em ZH



AS FOTOS ACIMA LOCALIZAM-SE AS MARGENS DO RIO CAMAQUA, NO MUNICIPIO DE CANGUCU,BEM NA DIVISA COM O MUNICIPIO DE ENCRUZILHADA DO SUL.
POR ALI TRANSITARAM, E ACAMPARAM, NÃO SO AS TROPAS DOS DRAGOES DE RIO PARDO, COMO AS TROPAS DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA,FEDERALISTA E AS DA REVOLUÇÃO DE 1923, COM SEUS GENERAIS,POR SER UM OTIMO PONTO ESTRATEGICO E BEM PROTEGIDO, PARA O CAUSO DE ALGUMA ESCARAMUÇA.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

CACIMBA DA PRATA

FOTO: RAPHAEL GRECCO

Foto Gentilmente Cedida do Acervo Fotografico do Estudio de João Silva Fotos



A CACIMBA DA PRATA

UMA DAS PRINCIPAIS FONTES DE AGUA PARA O ABASTECIMENTO DO PEQUENO POVOADO INTITULADO CANGUSSU,HOJE CIDADE CANGUÇU. LOCALIZADO ONDE HOJE FICA A EMPRESA DO SENHOR PEDRO BOEMEKE MAT. DE CONSTRUÇÃO. ASSIM SE PERDEU NO TEMPO, DEVIDO AS EXIGÊNCIAS DO PROGRESSO, ESTE IMPORTANTE MARCO HISTÓRICO DE CANGUCU!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tomada de Pelotas - Revolução de 1923




Tomada de Pelotas - Revolução de 1923

Chegada do Dr. Assis Brasil em Pelotas, aos 13 dias do mês de novembro de 1923. Joaquim Francisco de Assis Brasil - diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritor - trouxe vários avanços para o setor primário do Rio Grande do Sul, como vacas jersey da Inglaterra, touros devon, cavalos árabes, ovelhas karakul e ideal e galinhas white wyandotte trazidas dos Estados Unidos, entre outros. Trouxe ainda, novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam e inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que não entope nunca e leva o seu nome.

Tomada de Pelotas - Revolução de 1923



Tomada de Pelotas - Revolução de 1923

Chegada a Pelotas do General Honório Lemes, a 26 dias do mês de dezembro de 1923. Honório Lemes da Silva nasceu em Cachoeira do Sul (RS), em 1864.

Membro de uma família pobre, teve pouca instrução. Em 1893, participou da Revolução Federalista, movimento armado deflagrado no sul do país contra o governo do presidente Floriano Peixoto, estendendo-se até 1895.

Em 1923, voltou a pegar em armas, dessa vez para lutar contra a posse de Borges de Medeiros no governo gaúcho, reeleito para o quinto mandato consecutivo. Os maragatos, como ficaram conhecidos os rebeldes, liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, enfrentaram durante todo aquele ano as tropas legalistas, só cessando as hostilidades após a assinatura do Pacto de Pedras Altas. Por esse acordo, os rebeldes aceitavam o novo mandato de Borges, que por sua vez comprometia-se a não buscar nova reeleição.

Em novembro do ano seguinte, voltou a rebelar-se, dessa vez em apoio aos jovens oficiais militares que, liderados por Luís Carlos Prestes, sublevaram unidades do Exército no interior gaúcho contra o governo federal presidido por Artur Bernardes. Seu talento como líder militar valeu-lhe fama de grande estrategista.

Em 1925, foi preso e levado para Porto Alegre. Logo, porém, conseguiu fugir e exilou-se na Argentina.

Apoiou a candidatura presidencial derrotada de Getúlio Vargas, em 1930. Exercendo a profissão de carvoeiro, deixou sua família em extrema miséria após sua morte, ocorrida em Santana do Livramento (RS), em setembro de 1930, poucos dias antes do início do movimento armado que levaria Vargas à presidência da República. Fonte: http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/biografias/ev_bio_honoriolemes.htm

Zeca Netto e Simões Lopes Filho



Zeca Netto e Simões Lopes Filho

General José Antônio Mattos Netto (1854-1948) e seu Secretário Maior, Simões Lopes Filho, o "Fonsequinha", na Revolução de 1923.